A palavra “inteligência” tem sua origem no latim e significa ler por dentro, inter-legere (escolher entre), refere-se a capacidade de discernimento, capacidade de encontrar conexões profundas, desta maneira, já é possível fazer um contraponto importante, “burro” é aquele que não consegue fazer uma boa conexão com as ideias ou acontecimentos, em alguns casos não é capaz de fazer nenhuma conexão, para tanto, está sempre dependente das opiniões de terceiros e das conexões conforme são ofertadas, da mesma maneira como um restaurante apresenta um cardápio, quando muito, o burro só consegue fazer uma escolha dentro do que é oferecido, ele mesmo não consegue desenvolver nada, pensar em nada, e o pior, nem desconfia disso. O burro é capaz de acreditar fielmente na própria “inteligência”, e infelizmente isso acontece com muita frequência, e esse é um acontecimento permanente na vida de um burro, é algo triste e deplorável que no mínimo gera certa curiosidade em quem percebe suas falhas, porém, tudo permanece sendo muito real e problemático.
Mas, afinal de contas, as pessoas são ou não são burras? São ou não são inteligentes? E se de fato podemos dizer que existe essa tal de “inteligência”, também podemos afirmar que existe a burrice, assim, o que é a burrice? Onde e em que momento ela acontece? Em que momento uma pessoa potencialmente saudável, com suas capacidades mentais em pleno funcionamento, perde a oportunidade de se desenvolver intelectualmente e “opta” por ser burro (conscientemente ou não deste momento), opta por permanecer na ignorância?! Se de fato as pessoas têm sido intencionalmente emburrecidas por uma super elite ao longo de suas vidas, a simples existência de uma elite que se beneficia da burrice alheia já é algo muito preocupante, uma elite que deseja que as pessoas tenham suas capacidades limitadas e diminuídas – ao invés de potencializadas -, uma burrice fabricada, engendrada, seja por falta de incentivo a um comportamento mental positivo, seja pelo trabalho intencional em levar as pessoas a não se desenvolverem ao longo de suas vidas, assim, o que nos resta a fazer por nós mesmos? O que podemos tentar para melhorar a nossa sociedade? Certamente que devemos começar por nós mesmos, e o que podemos fazer para nos tornarmos pessoas melhores? Desenvolver mais e mais o que for possível, e assim, tentar melhorar as nossas capacidades cognitivas, e principalmente, descobrir o que devemos fazer para nos mantermos longe de pessoas burras. Afinal de contas, o meio nos influencia, e também pode nos aprisionar na mediocridade. Só estudar não basta, pois estudar as coisas erradas pode até atrapalhar, devemos começar a ler os clássicos, divergir de opiniões ditas como sacramentadas, questionar, confrontar pensamentos, saber como enfrentar o senso comum, como também reconhecer quando está correto, lógico, e tentar encontrar soluções diferentes para os problemas que se apresentam em nossas vidas.
Para os filósofos clássicos a inteligência começa com a autoconsciência da própria ignorância, assim, uma pessoa que não é capaz de reconhecer os próprios limites vai depender sempre do “cardápio” dos outros. Para Robert Musil podemos dividir a estupidez em duas partes, a primeira é a falta de capacidade natural, afinal de contas todos nascemos “zerados”, a segunda é a estupidez pretensiosa, as pessoas mais burras possuem muitas dificuldades em reconhecer as próprias limitações, um total desequilíbrio da alma, o cidadão que sabe menos não possui o mínimo de sabedoria para reconhecer o que não sabe, por isso pensa algo de si mesmo como possuidor de uma inteligência que não condiz com a realidade, para uma pessoa assim, a inteligência é algo que está longe, enquanto que ser burro é algo que está introjetado e escondido como uma bactéria resistente, a ilusão de uma falsa inteligência é o que está mais próxima do estúpido, enquanto que a verdadeira inteligência é algo que raramente se manifesta em alguém programado para ser estúpido e que aceitou a “missão” sem nem perceber nada. D. Bonhoeffer defendeu que a estupidez é um problema moral, a pessoa se fecha bloqueando argumentos lógicos no mesmo instante em que abraça ideias mentirosas, essa é uma postura ideal que favorece apenas aos tiranos e suas manipulações das massas. Uma definição bastante interessante é a de Carlo M. Cipolla, que define que o indivíduo estúpido é como alguém que causa prejuízos a terceiros sem nem mesmo ter a desculpa ou a intenção de tentar proporcionar algum ganho para si mesmo (e isso só piora a situação, pois nem mesmo o ganho particular existe para explicar suas ações), algo que normalmente gera perdas também pessoais, e isso não justifica os outros tipos de estupidez ou de falta de caráter moral, mas apenas indica que existem pessoas que estão abaixo até mesmo do interesse particular, são pessoas tão estúpidas que nenhuma desculpa pode servir para “justificar” seus atos, só há perdas, sem nenhuma possibilidade de ganhos para quem quer que seja (a não ser para os poderosos dos quais defende, enquanto pensa que está combatendo os super ricos), este geralmente é o tipo de estúpido mais perigoso, esse tipo cai mais facilmente nas armadilhas do progressismo, pois fica feliz com o prejuízo de todos, até dele mesmo, e não percebe que seus atos estão fortalecendo os poderosos.
No aspecto conceitual a tese defendida é a de que a inteligência é dinâmica, fundamentada na dúvida, enquanto que a burrice é estática, orgulhosa e convicta de certezas absolutas e ilusórias. Para Sócrates é importante saber reconhecer a própria ignorância. Platão defendia a sabedoria de quem consegue distinguir a realidade das aparências, ou seja, o que é a realidade e o que é produzido pela mente, a imaginação de quem é capaz de acreditar que a realidade está nas aparências tem mais chances de ser o maior dos estúpidos.
Inteligência inutilizada é um mecanismo de controle, a burrice incentivada, a estupidez programada, a inteligência adormecida, o estamento que governa o país quer sua alma, quer seu corpo, quer sua energia de consumo, o establishment, a super elite multibilionária não quer que as pessoas aprendam a pensar, certamente que assim tudo ficará muito mais fácil para estas pessoas travestidas de revolucionários que se dizem preocupados com os pobres enquanto são financiados pelos mesmos super ricos que dizem combater, na verdade, são todos uns retrógrados em busca de poder e dinheiro, mas tudo em nome de uma revolução pequeno burguesa que se declara contra a burguesia (aliás, este termo está bem ultrapassado), esses ideólogos não passam de ladrões que precisam encontrar maneiras criativas de roubar se utilizando das leis, do governo, do poder do monopólio de uso da violência, falam em nome da paz enquanto promovem as guerras. Não passam de aproveitadores que abusam da inocência e tolice dos mais jovens que acreditam que alguém pode cuidar delas melhor do que elas mesmas, querem ganhar muito dinheiro em nome de uma suposta revolução, e assim, se manterem no poder por mais tempo. Na revolução dos idiotas o que vale é a obtenção de mais e mais poder para as classes mais elevadas, querem mais dinheiro e controle para que suas famílias consigam se manter no topo da cadeia alimentar da psicopatia social, são predadores “intelectuais”, e isso vem acontecendo por muitas e muitas gerações. Com a inteligência inutilizada, sempre vai existir muito trouxa que vai cair nessa conversinha ideológica do bandido progressista “salvador da pátria”.