O ego existe ou foi inventado?
As artimanhas do cérebro humano em tentar enganar os outros existem, e isso não é muito diferente quando o assunto é o de também tentar enganar a si mesmo, principalmente na terrível “missão” suicida em constantemente tentar se auto sabotar, algo que não possui limites e nem meios de comparação com nada na natureza, podemos até mesmo questionar se o ego é um subproduto da imaginação humana para depois darmos o segundo passo em direção a um tipo de polifonia ególatra de quem fala em nome de uma suposta ciência; Id, Ego e SuperEgo, tudo não passa de um disfarce de uma comunidade de farsantes tentando se esconder até de si mesmos, quem mente para si mesmo é capaz de mentir para qualquer pessoa e por qualquer motivo, e jamais devemos nos esquecer de que a ciência não é feita por alienígenas, mas sim, é feita por homens, alguns bons e outros ruins, bem intencionados ou não, éticos e não éticos, honestos ou desonestos, loucos, desvairados, ideologizados, sérios, comprometidos, oportunistas e tudo o mais que você puder imaginar, se você procurar com calma encontrará até quem esteja preocupado de verdade com o bem geral das pessoas, mas isso é igual a procurar jornalista honesto, conforme a frase do falecido Juca Chaves “A imprensa é muito séria, se você pagar, eles até publicam a verdade”. Voltando ao tema da existência das partes do ego; como teoria, é impossível de ser verificada se não por palavras, narrativas, tanto quanto é difícil de ser objeto de refutação profunda e absoluta, pois seu campo de ação é o da linguagem, não da comprovação física, material. Na verdade, são tantos os tipos de evidências científicas existentes que este tema ficará para outra oportunidade, pois não devemos confundir o uso de metodologia científica com a ciência propriamente dita, o primeiro é o caminho, o segundo é o objetivo, que pode ser alcançado com ou sem metodologia, mas é fato de que o uso da metodologia ajuda a obter respostas mais confiáveis, por isso não se iluda, as ditas “ciências humanas” são as mais fáceis de sofrerem manipulações ideológicas. Para Freud a mente humana é dividida em três instâncias psíquicas que formam o que se costumou chamar de personalidade (três nomes diferentes para o fingimento). No mundo da mentira, a “ciência” chamou o lado mais atrasado do ser humano de Id (Id é o “Isso”), uma parte primitiva que já nasce com a pessoa, está ligado ao princípio do prazer, poderíamos chamá-lo de “Ser Materialista”, preso as questões do mundo sensível. “Eu quero agora!”; sempre em busca de gratificação imediata de seus desejos, geralmente são pessoas imediatistas ao extremo; fome, sexo, sede, agressividade, neste caso, a moral, a ética e as consequências de seus atos ficam escanteados, deixados de lado, é como costuma ser e agir o progressista com suas teorias consequencialistas, onde o que vale é o resultado, se alguém vai perder, se machucar ou mesmo morrer: “Que se dane!”, certamente dirá o progressista que se coloca como um deus na Terra, assim também costuma dizer o Id, pois é mais fácil e não requer nenhum raciocínio lógico, sem nenhuma cerimônia, assim já podemos imaginar o quanto de gente primitiva é governada pelo progressismo, pois esta ideologia depende quase que exclusivamente de seres “atrasados”, rústicos, idiotizados e infantilizados. Depois vem o que se convencionou chamar de Ego, mais conhecido como o “Eu”, partindo do Id se conecta com o mundo externo “Ser Social”, é como uma carapaça, um escudo, o primeiro fingimento mais perceptível, adora uma afetação. “Vamos encontrar um meio-termo possível!”, pode assim dizer o Ego, diz isso tanto para si mesmo quanto para os outros, quanto mais afetado, mais vazio de sentido e de valor, em tese, é como um mediador entre os impulsos irracionais do Id com a realidade prática, uma tentativa de encontrar maneiras seguras de realizar os desejos do Id. O Superego (ou “SuperEu”) é a instância moral da mente, é a internalização de valores, regras, está envolvido com questões proibitivas e sociais da mente “Ser Objeto”, tentando encontrar o que é o certo e errado, tenta impedir os impulsos do Id e pune o Ego com os sentimentos de culpa ou de vergonha quando as regras não são seguidas. “Você não deve, isso é errado!”, pode dizer assim de maneira maniqueísta, muitas vezes deixando de lado suas próprias vontades e emoções. Quando as tensões não são bem resolvidas surgem as ansiedades, os mecanismos de defesa, as inquietações.
Devemos acreditar que de fato alguns destes temas existem de verdade ou tudo não passa de crendice de falsa religiosidade disfarçada de ciência? Não é o caso de tratar como superstição ao falar a respeito daquilo que você não consegue provar com materialidade científica? Podemos alterar os nomes, mas os problemas em si, eles são reais, mas é bem provável que tudo não passe de um fingimento extremamente bem arquitetado e escondido. Assim, o mais correto não seria considerar a possibilidade de que essas ideias são apenas frutos de nossas engenhosas mentes criativas? Vivemos permanentemente como em um jogo de espelhos, nunca sabemos ao certo qual destas personas que nos foram atribuídas é a verdadeira face da nossa personalidade, se é que existe alguma verdade nessa construção de fingimentos, e independentemente do quanto tudo esteja sob o controle do Id, do Ego ou do SuperEgo, e se de fato existem de maneira “material”? Ou apenas existem senão como joguetes de manipulação? Tudo pode não passar de um teatrinho que continua alcançando a todos, principalmente porque estamos a mentir para nós mesmos e não suportamos a ideia de sermos descobertos, não apenas pelos outros, mas principalmente, por nós mesmos.
Vejamos! As palavras ganham vida na imaginação das pessoas, destarte, somos capazes de “destruir” com palavras o que existe na realidade e ao mesmo tempo somos capazes de “construir” mundos imaginários com os quais preferimos crer como se fossem verdadeiros (a narrativa ganha peso maior do que a própria realidade), desta maneira, nem mesmo a verdade tem lugar seguro quando o tema é a maluquice da psique humana, e se nem a verdade possui um lugar seguro, como poderemos descobrir o que é fantasia, mentira, falsidade, fingimento? Para a neurociência e para a psicologia cognitiva o ego não é tratado como se fosse uma “entidade física”, mas sim como um conjunto de funções cerebrais e processos cognitivos, e desta maneira a ciência não “prova” a existência do ego, como o que acontece nas teorias de Freud, como se existisse um “homenzinho” dentro da cabeça de cada ser humano, um homúnculo, uma miniatura dentro da cabeça de cada pessoa, mas sim como um mecanismo de auto referência, uma maneira do cérebro criar uma identidade coesa separando o “eu” desse “outro” inventado, e assim, a mente tenta manter um certo monitoramento da própria existência. Essa teoria de Freud nos faz pensar que – é como se o ser humano estivesse brincando de tentar ser ele mesmo – mas ao mesmo tempo, permanece a fantasiar sua própria existência como se fosse outra pessoa, algo como um mecanismo contraditório de preservação de si mesmo no mesmo instante em que está a negar a própria personalidade (Demência Social – esse seria um ótimo nome para este problema, pois não chega a ser uma questão que inviabiliza a convivência em sociedade, mas não é o mesmo do que dizer que somos todos pessoas “normais”, neste caso, o normal já é por si só, doentio), pois em alguns momentos há um jogo de quem joga contra si mesmo, os danos causados por esses mecanismos são terríveis, mecanismos de falsificação da realidade tentando amenizar certos acontecimentos, como por exemplo; as tentativas de validar a falcatrua, a mentira, o uso do cinismo como se fosse um tipo de inteligência (quando na verdade é uma degradação psicológica e moral), a insensatez se colocando acima da realidade, isso tudo já é perceptível desde criança, logo, um questionamento muito válido pode surgir a mente de quem tenta investigar tais fenômenos, o ser humano, ao negar a realidade, é um ser em uma permanente tentativa desesperada e infrutífera de se manter como criança (de um jeito ou de outro)? E, “que seja assim para sempre!”, isso poderia ser dito por alguns destes “homúnculos” escondidos dentro de você ou de mim? Pelo jeito, sim. Nós sabemos que algumas pessoas conseguem este feito com certa facilidade, o de permanecer infantilizada para sempre, mas e o contrário disso? Quantas pessoas conseguem de fato amadurecer? Muito difícil dessa pergunta ser respondida com seriedade, mas a convivência pode desmascarar até mesmo os mais espertos dos espertalhões. Isso tudo está muito além do que uma síndrome de Peter Pan, existe na maioria dos adultos um comportamento de quem vive agindo feito criança que se disfarça de adulto e que ainda se recusa a se ver como um babaca infantilizado. Talvez por isso possamos afirmar que um espírito atrasado, um tipo de “espírito demoníaco mundial”, desses bem materialistas em todos os sentidos (e o pior tipo é o da falsa virtude moral que precisa sempre acusar o outro de alguma coisa a fim de tirar o foco de si mesmo), esse adulto-infantilizado ainda consegue manter os mesmos comportamentos infantis que qualquer criança já pode apresentar desde muito cedo, tudo muito bem enrustido como; o ciúme, a raiva, a inveja, o desejo de posse material, a violência como ferramenta de extravasar a raiva e de tudo o mais que for possível dentro dos piores temas humanos, um permanente joguinho emocional pilantresco, mascalzone. A vontade de eliminar qualquer pessoa como se fosse possível descartar obstáculos é um destes sintomas mais terríveis, tudo em nome do “amor”; é óbvio! Simplesmente porque alguns ousaram em desmascarar o fingimento.
Na fase adulta, o desejo por poder pode ser apenas uma questão de imaturidade, imaturidade perigosa; é certo! Pois uma pessoa assim pode fazer as coisas mais absurdas por dinheiro, poder, bens materiais. Mas independente disso, a maioria das pessoas entende quando dizemos “ego” como sendo algo pessoal, particular, a maioria consegue imaginar alguma coisa, porém, é possível afirmar que a maioria deve pensar primeiro em “ego” ligando o tema a ideia de egoísmo, de uma pessoa egoísta, de algo voltado apenas para a própria personalidade (o que de fato diminui em muito o alcance do assunto, mas não seria o fingimento um ato de puro egoísmo?!).
Diante deste tema, podemos concluir que, por aquilo que normalmente acreditamos que possa agradar ao nosso suposto “ego”, é possível (mesmo sem ter certeza se isso de fato existe ou se tudo não passa de um fingimento “inconsciente” de quem não gosta de enfrentar a realidade), tentar resolvermos essa questão e dar fim ao fingimento de dupla ou tripla personalidade? Talvez sim, mas quem de fato está interessado em “conhecer a si mesmo”? Praticamente ninguém. Se pensarmos na palavra “ego” apenas como uma palavra em substituição a palavra “personalidade”, como se fosse um apelido, aí tudo bem! Segue a vida! “Fazer o quê?!”. Mas acreditar em um suposto homúnculo?! Tudo isso vai permanecer como um senso comum nonsense, só porque a “ciência” quer que assim seja (ou seria o contrário?! Percebe o quanto tudo isso é confuso?!), mas poderia muito bem ser chamado de “crendice popular” a necessidade de desdobramento do inconsciente em três ou mais facetas (Id, Ego e SuperEgo), ou mesmo poderíamos chamar de consenso popular a total indiferença ao tema, algo que pode perder o sentido a partir do momento em que as pessoas deixarem de acreditar como coisa válida, assim, como quem sabe um dia poderá acontecer com o conceito do “ouro” como fortuna, em que seu valor monetário está atrelado a crença popular de que possui mesmo um valor financeiro, como sendo algo muito apreciado por todos que são dependentes desta ideia, mas, a partir do momento em que as pessoas deixarem de se interessar pelo ouro, ao menos como uma suposição que, infelizmente é pouco provável de ser adotada por nossa sociedade que é extremamente materialista, e assim, o tema “ouro” continuará hipnotizando os mais desinformados, mas o tema “conhecer a si mesmo”, esse não, esse continua sendo ignorado pela maioria (perdoe-me por essa divagação do tema “ouro” foi algo irresistível).
Desta maneira, é possível afirmar que, quando amadurecermos o suficiente, a fim de ao menos acreditar que cada pessoa um dia tentará conhecer a si mesma, e assim, quem sabe um dia ninguém vai nem lembrar de que um senhor de cavanhaque branco escreveu livros de ficção como se fossem “ciência”, ou seja, a crendice da ciência como meio de se obter uma suposta “verdade absoluta” por meio daqueles que são justamente quem mais acreditam no relativismo, e assim, vai se esvaziando diante do seu mal uso para formar ideias endereçadas para determinadas finalidades amplamente planejadas, como se a ciência fosse coisa absoluta produzida por alienígenas, mas sim, sendo feita por homens que são capazes de mentir até para si mesmos.
“Fazer o quê?!”.
P.S. Ainda assim, se um dia isso acontecer, o que os bancos ou os governos irão fazer com tanto ouro que existe como “reserva de valor”, mesmo que isso também tenha mudado desde os petrodólares de Nixon, evento conhecido como “Choque de Nixon”, o ouro ainda tem valor porque as pessoas ainda acreditam nisso, e um dia vai deixar de ser assim, no exato momento em que a maioria começar a pensar diferente e deixar de lado a crença do ouro como referência de valor financeiro. Existe porque todos acreditam, e deixará de existir no instante mesmo em que a maioria ignorar seu suposto “valor financeiro de reserva”, assim poderá acontecer com os “Fingimentos do Ser”.