Qualquer ser humano maduro sabe que no mundo existem pessoas boas e existem pessoas terrivelmente maquiavélicas, maldosas, materialistas ao extremo, gente que, mesmo quando sendo de baixo nível intelectual, consegue atrapalhar a vida de quem está próximo, e quando possui uma inteligência acima da média isso é algo que potencializa o lado maligno, os mais limitados já conseguem proporcionar um terrível estrago social por onde passam, e ainda assim alcançam um poder de destruição avassalador, assim, já na largada o homem desfragmentado possui um poder maligno, e quanto mais desassociado ele está do mal físico, como o conhecemos, as consequências podem ser exatamente essas que estamos presenciando neste exato momento da história da humanidade, onde aparentemente pessoas inofensivas estão ampliando o poder das atividades criminais quando defendem bandidos que são inocentados por crimes graves, enquanto que pessoas comuns são presas por infrações no mínimo ridículas como o ato de pixação com batom em uma estátua. Os mesmos que começam relativizando pequenos crimes, defendendo o pequeno delinquente, uma hora acabam também defendendo o tráfico de drogas e os ladrões de todos os tipos, os pedófilos, os estupradores. Todos os bandidos gostam de ter seus próprios idiotas uteis, pois são pessoas que amplificam o poder do profano justamente quando veem a si mesmos como representantes de um tipo esquizofrênico de um falso sagrado, é como o homem bomba que mata em nome de um falso deus, e também tem aquele que manda crianças na frente da tropa para detonar bombas terrestres, todos são versões do mesmo mal. São pessoas que confundem a palavra como se fosse uma extensão delas mesmas, como se uma ideia pudesse representar seu corpo, sua alma, suas essências em todos os seus mais amplos sentidos de ser, por isso se sentem ofendidas, feridas. Seria este o objetivo final, o auge do materialismo?! A capacidade de desmembrar o ser humano em algo totalmente sem sentido, totalmente desconectado da realidade, onde as partes não mais conseguem compor um todo, ou pior, onde as partes não só passam existir quando passam a ser mais importantes do que o todo, mas que também acabam por tomar uma dimensão maior do que o todo, o homem desfragmentado é o auge do materialismo transfigurado em ideias que se colocam acima do ser pensante. É a mais perversa versão da realização do sonho do homem em ser deus!
Neste terrível cenário é revelado o subproduto desse engenho diabólico, as pessoas estão sendo ensinadas a acreditar que o emocional é o racional, e que assim, a simples possibilidade de ouvir ideias contrárias se transforma em um insulto em que as pessoas não conseguem mais entender que a palavra é só uma ferramenta para uma possível representação de algo. Quando uma pessoa perde a capacidade de contrapor ideias contrárias, quando o contraditório passa a ser visto como uma ofensa, quando uma simples exposição de um gosto, de uma piada ou de uma ideia passa a ser visto como preconceito, discriminação, ofensa, só vai restar a estes seres extremamente “sensíveis” a insensibilidade total, não como um estado de catarse, mas como um estado de retenção, de opressão total, de auto aprisionamento do qual a pessoa é voluntária da própria contenção, mas não sem antes chamar esse aprisionamento de liberdade, é a anestesia geral chamando a si mesma de mobilidade, de pluralidade, de diversidade, quando o que de fato está acontecendo é justamente o seu oposto. Chamar a própria fraqueza de sensibilidade é uma tentativa de bloquear as opiniões contrárias, um meio muito covarde de fugir da luta se auto declarando vencedor sem nem entrar em campo.
O homem desfragmentado é na verdade o infantil racional, alguém que embriagado pela própria ignorância, por estar totalmente alienado de si mesmo, muito facilmente cai na armadilha em acreditar ser um adulto racional, quando muito não passa de uma pessoa biologicamente crescida, mas emocionalmente infantilizada, a ponto de ver a si mesma como uma pessoa racional, inteligente, humana, benfeitora da humanidade, principalmente quando está degolado seu semelhante, sendo que um ser verdadeiramente inteligente jamais verá a si mesmo como alguém racional, mas sim como alguém que por meio da busca do conhecimento reconhece as próprias limitações, seus próprios erros, assumindo suas responsabilidades e jamais se vitimizando por coisa alguma, ciente de que pode ou não atingir a racionalidade em determinados momentos, desconfia de si mesmo a fim de não se passar por um tolo narcisista como um eunuco que acredita na própria fertilidade. O homem desfragmentado gosta de brincar de ser deus, e tudo o que consegue é fazer o triste papel do diabo na terra dos infelizes.