No mundo das artes, tudo pode, tudo é possível! Por isso, o erro gramatical, o erro de sintaxe ou mesmo o erro de lógica, nenhum deles devem ser objeto de análise determinista em nenhum tipo de movimento artístico, por mais estranho que possa parecer. Jamais devemos cair no equívoco em considerar como erro uma palavra ou frase utilizada em uma poesia, letra de música, uma peça de teatro, um romance, um discurso performático e o que mais estiver relacionado ao mundo das artes, sendo o erro intencional ou não, como meio, uma tentativa de se atingir um efeito poético, artístico, ou o que mais estiver relacionado a liberdade criativa do autor a fim de chegar a um resultado específico, determinado ou não pelo autor, em que a contradição, o próprio erro, o equívoco, ou mesmo a falta de conhecimento, quando estiverem sabidamente presentes, jamais isso tudo deve ser tema de validação e menos ainda de certificação de nenhum tipo de arte, um comentário pode até ajudar a diminuir ou melhorar o efeito do erro ou do acerto, mas não necessariamente deve ser a base fundamental de nenhuma análise crítica, pois nenhum comentário ou crítica são capazes de alterar o efeito alcançado pela obra, quanto muito alteram a nossa percepção a respeito do que foi comentado, mas a obra em si está sempre incólume ao julgamento humano, por pior que a peça teatral, o livro, a poesia sejam ruins, depois de pronto, não há nada que o julgamento humano possa fazer, isso tudo fica apenas no campo do juízo de valor.

A arte está isenta de análises desse tipo de ação, é óbvio que tudo o que for objeto da própria arte poderá sofrer críticas, mas é melhor que a nossa percepção da obra fique de fora, pois, de fato, está fora, não faz parte da obra, nunca fez parte de nenhuma obra, mas muitos insistem em confundir a crítica como se fosse a própria obra, sem contar a questão de que em pouco tempo o comentário certamente cairá no esquecimento. Para ser mais direto, “não confunda a crítica com a obra em si!” e pior, não confunda o discurso do autor com a obra, tudo isso não é a obra em si, é só ruído, mesmo quando elogioso, ainda assim, será apenas e sempre; ruído. O erro não deve ser critério para acreditarmos que essa ou aquela determinada ação artística passou a ser boa ou ruim porque teve mais, ou menos, erros, críticas ou elogios. A ação de considerar como sendo de alto nível uma obra de arte por meio de certas questões como, por exemplo, o uso indevido de um pseudo raciocínio lógico, isso não deve ser matéria de análise de quem quer que seja, talvez, quando muito, um linguista ou um gramático possam apontar os “erros” para fins didáticos, porém, para a obra de arte em si é indiferente o quanto possui de acertos ou de erros, assim acontece com a sintaxe gramatical, se o efeito pretendido causa estranhamento, não há muito o que fazer. Por mais estranho que isso possa parecer ou causar algum tipo de incômodo nas pessoas, a não ser em raríssimas exceções, a licença poética é como um passaporte vitalício de liberdade criativa. Mas é importante reforçar que isso não valida e nem inviabiliza nada, geralmente não deve ser usado como padrão de qualidade e nem de defeito.

            Dito isso, agora podemos nos concentrar no tema principal do artigo, podemos citar as incongruências relativistas, relativismo este em que não é possível afirmar sua importância e significado sem negar o próprio relativismo, pois, se dissermos que é “proibido proibir”, estamos ao mesmo tempo dando uma ordem em nome da desobediência, uma pura contradição entre termos, pois ordens são ordens, e como como isso pode acontecer com uma ordem que ao ser cumprida está ao mesmo tempo sendo desobedecida? Pura esquizofrenia! Uma ordem assim perde sua validade no instante mesmo em que nasce, por ser relativista, é incongruente e sem sentido lógico, sua tentativa de ato revolucionário de desobediência é inócuo e pueril, é um contrassenso praticamente auto explicativo que até agora ninguém percebeu. O relativismo não para em pé, pois precisa sempre de uma frase afirmativa absoluta para afirmar sua própria falta de relatividade. Se alguém diz que “tudo é relativo!”, a frase em si já demonstra que não é possível afirmar isso sem ao mesmo tempo cometer o equívoco de negar o que está sendo dito. Neste caso, o imperativo perde seu sentido de ser e a afirmação é esvaziada. O mais correto é dizer que existem coisas e momentos em que certos temas ou acontecimentos são relativos a isso ou aquilo, o seu oposto absolutista não faz sentido algum. Daí vem uma frase mais feliz, solta, repleta de conteúdo e de permissão inserida em sua própria sintaxe, ou seja, “É permitido permitir!”, sendo assim uma frase mais ampla, mais abrangente, e ainda com a grata felicidade em não ser autocontraditória.

Sim. Se de fato vivemos em um país verdadeiramente livre, e com a devida licença poética, é preciso repetir por mais mil vezes!

“É permitido permitir!”

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