Quando o Homem-Massa começou a ter algum entendimento da vida, principalmente quanto a complexidade do comportamento humano, nada lhe ocorreu, nem mesmo um sorriso ou um espanto, apenas as coisas materiais lhe causam certo espanto “positivo”, quanto ao restante…? É tudo sombra e escuridão.

“Quem sabe um dia, eu consiga me tornar um grande manipulador?!”, ele poderia ter pensado isso? Mas não, nada aconteceu, nem mesmo para algo indesejado, nem mesmo para algo imoral ou antiético, o Homem-Massa está anestesiado. Não aconteceu nada como um grande pensamento que advém de um longo período de raciocínio após vários outros raciocínios, como o que acontece em uma partida de xadrez em que, depois de avaliar inúmeras possibilidades, o jogador decide por adotar uma linha de conduta em determinada partida. Não! Não tem sido assim! O Homem-Massa não é capaz de se rebelar e tampouco de transgredir de nenhuma maneira (atitude da qual não estamos aqui reverenciando, o tema serve apenas como uma indicação infeliz), o exemplo serve apenas para indicar que o Homem-Massa não vai nem para um lado e nem para o outro, seu comportamento é insosso, não serve nem para as coisas boas, tampouco para as atitudes ruins.  

      Na verdade, suas ideias, seus pensamentos acontecem quase como uma diarreia, algo que surge praticamente do nada, sem avisos, não há nele nem um sinal como uma leve dor de estômago, como uma cólica ou algo do gênero, ele simplesmente obedece. O Homem-Massa é um ser anestesiado, satisfeito com sua própria situação, descontente com qualquer um que tente lhe revelar qualquer verdade ou tente demonstrar qualquer tipo de aspecto da realidade em que não há interesse algum na possibilidade de uma revelação, pensamentos e opiniões somente se for algo relacionado a corroborar com o próprio ponto de vista já pasteurizado pelos veículos de comunicação popular. O Homem-Massa é o principal representante do comportamento de “rebanho” que possui ódio contra qualquer um que não obedeça ao sistema, seja por ressentimento, por não possuir coragem, ou mesmo incapacidade de enxergar além do próprio umbigo, seja por medo de ser diferente, o que importa para ele é que tudo continue como está, mas às vezes, curiosamente, esse comportamento se dá em nome da “novidade”, acredite ou não, a ideia de novidade sem base na tradição ou na história é como um avião sem gasolina em pleno voo, ninguém sabe o que pode acontecer. Para este ser “satisfeito” a obediência é um hábito seguro e milenar que não deve ser questionado, enquanto que o comportamento de quem possui autonomia de pensamento gera um sentimento de ameaça ao que está estabelecido, quem faz parte do rebanho se sente inseguro com questionamentos, ao mesmo tempo uma certa inveja corrói por dentro o Homem-Massa, afinal de contas, esse tipo de pessoa não possui autonomia de pensamento, não possui coragem, sua dependência é risível e sistêmica, e ao invés de se revoltar contra o sistema que o oprime, esse cidadão costuma destilar ódio contra quem é livre e independente. Assim, já dizia Nietzsche: “Quem caminha por conta própria e cria seus próprios valores expõe a fragilidade daqueles que apenas obedecem”, por isso é mais fácil para esse tipo esquizofrênico de ser humano, o Homem-Massa, rotular o indivíduo livre como sendo “mal” e provavelmente muito perigoso.

Ninguém sabe tão pouco a respeito de si mesmo do que o Homem-Massa, satisfeito com a própria mediocridade licenciada, abraça seu opressor chamando-o de salvador, e ao mesmo tempo tenta ridicularizar quem realmente é livre. Não é poder, controle e manipulação para ele, mas sim para o seu líder “O Grande Irmão”, referência ao livro “1984” de G.Orwell. Para os outros que teimam em não obedecer aos amados tiranos do Homem-Massa, as reações costumam ser cruéis, insensíveis e tremendamente violentas.

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