Podemos extrair duas ou mais visões possíveis de um acontecimento cinematográfico mostrado no filme “Titanic” de J. Cameron, onde, no instante em que o navio começou a afundar os músicos continuaram tocando para a plateia desesperada, de fato existe a possibilidade real de que os músicos tenham continuado a realizar suas funções mantendo o ambiente com um fundo musical constante, um tipo bizarro de “trilha sonora” do naufrágio que matou muitas pessoas. A colisão do Titanic com um iceberg é um acontecimento que marcou a história da humanidade e, enquanto o navio afundava lentamente, de acordo com os relatos de muitos dos sobreviventes, os músicos permaneceram tocando músicas do repertório da época. Não sabemos ao certo se isso foi um delírio dos sobreviventes ou mesmo um delírio dos músicos, a única certeza que temos é que alguém estava delirando, só não sabemos ao certo quem?! Não houve uma música específica, porém, os relatos se referiam a “Nearer, My God, to Thee” (no Brasil canção conhecida com o nome de “Mais Perto Quero Estar”), e também houve relatos da canção “Autumn”, uma valsa lenta cujo o nome original seria “Songe d’Automne”, nunca houve consenso quanto a este assunto.

A primeira visão possível a ser considerada (e muito decente, diga-se de passagem), quanto a uma atitude que nos arremata como um acontecimento de muito valor partindo de quem continuou cumprindo uma tarefa que, repentinamente, havia se tornado árdua e muito difícil, a dura tarefa de continuar com suas atribuições a fim de acalmar as pessoas da maneira que fosse possível para uma situação extrema de desespero, assim, a banda não parou com a música.

A segunda visão é mais especulativa realista e serve para muita gente, como uma metáfora para aqueles que, mesmo vendo o barco da própria vida naufragar continuam a tocar seus “instrumentos” como se nada estivesse acontecendo, mas por motivo menos nobres. O som de violino foi o que marcou mais para este momento, assim, “O tocador de violino” passou a representar uma ideia de alguém passivo, sem energia, sem capacidade de reação e, mesmo sendo uma pessoa com boas condições cognitivas, porém na realidade é muito débil. Essa figura de linguagem hoje remete a alguém que possui uma capacidade ainda mais proeminente e de difícil aceitação, que é a capacidade de negar a realidade, principalmente quando está sendo enganado por terceiros. “O tocador de violino” é o esquerdista otário que acredita que alguém vai fazer por ele algo que somente ele mesmo poderia realizar. “O Tocador de Violino” nega a existência de um algoz, de um tirano, mas somente se esse tirano for um progressista, caso contrário, ele passa a acreditar sem nenhum fundamento realista que o diabo é o próprio representante do bem, assim, de uma hora para outra faz afirmações sem nenhum sentido lógico (até mesmo tentando proteger seu algoz progressista), como se a realidade em si não funcionasse mais em sua cabeça desmiolada, repleta de ideologismos e vazia de capacidade cognitiva, ele passa a ver duendes e outros fantasmas. “O Tocador de Violino” é alguém que perdeu o contato e a função prática da realidade, e para tanto, coloca em sua própria cabeça uma visão fantasiosa que se faz “necessária” e reconfortante para que ele não fique deprimido, porque certamente ficaria louco se tivesse que assumir que foi enganado ou porque continua a não suportar a realidade, nem de um jeito e nem de outro, a dissonância cognitiva fica sem cura. Assim, guardadas as devidas proporções, é como a garota que, sendo sequestrada, tenta, depois de libertada relativizar a culpa de seu sequestrador, o nome deste estranho mecanismo mental é mundialmente conhecido como “Síndrome de Estocolmo”. Agora, ligado ao caso do navio afundando, podemos chamar a esta memorável falsificação da realidade de Síndrome de “O Tocador de Violino” (tanto a nobre como a imbecilizante). Como também temos a variação daquele que, necessitando ou desejando uma coisa, relativiza o roubo como sendo algo “justo”, tentando assim normalizar que o assaltante é o bonzinho da história, até que chega o dia em que, premiado pela sorte, ele será também roubado por aquele que até há pouco tempo era protegido pelo bobão ideologizado, que este cidadão débil do qual chamamos de “O Tocador de Violino”, que permanece negando a realidade e a lógica da vida a fim de que suas fantasias engulam qualquer possibilidade de senso da verdade e da realidade, nem que seja tudo tão forçado quanto, de maneira supostamente perfeita, a continuar tentando encaixar um triângulo dentro de um quadrado. Para “O Tocador de Violino”, não é a fantasia que tem que se adaptar, mas sim, é a realidade que tem que se adaptar a fantasia. E o resto? “Que se foda!!!”, o Tocador de Violino diria se fosse possível estar presente no navio no momento do naufrágio, o que não deixa de ser verdade, mas o fato é que, infelizmente, todos nós estamos juntos neste barco, ou melhor, neste mesmo navio chamado Brasitanic.

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