O mundo não seria o mesmo se não existisse a figura do trouxa. No sentido figurado, trouxa é aquele que é, e age de maneira ingênua, um tonto, alguém que se deixa enganar, alguém que se deixa ser passado para trás, um pateta, um iludido com o mundo, mas principalmente um iludido com pessoas e ideologias que o enganam e ainda se mantém a venerar cada pessoa que o enganou, mesmo sendo pisoteado por aquele com o qual possui alguma admiração, geralmente, sua admiração é infundada e permanente, algo que ajuda a configurar ainda mais a sua posição de trouxa. A palavra possui uma origem ibérica que significa “carregar, advém da frase; “colocar carga sobre um animal”. Não confundir com alguém que foi enganado por um astuto em um golpe ou em uma mentira muito bem elaborada, pois ninguém consegue estar permanentemente imune a esses larápios, a verdade é que o trouxa está sempre a acreditar em algo que não possui fundamento, sempre está disposto a dar atenção a quem quer enganá-lo, e sempre está a se colocar em situações que favoreçam seus algozes. O trouxa é alguém que está sempre atrasado em perceber os riscos e perigos da vida no instante mesmo em que se entrega ao inimigo acreditando que existe ali alguma segurança em obedecer ao bandido chamando-o de algum nome “bonitinho”.
Além do mais, o Homem-Trouxa acredita na palavra de outro homem, seja um conhecido ou não, coloca dinheiro nas mãos dos outros como se o dinheiro pudesse ficar mais seguro nas mãos dos ladrões que o roubam. O Homem-Trouxa é um tipo de pessoa que acredita que um jornalista sabe mais a respeito de saúde do que o seu próprio médico. O Homem-Trouxa acredita no Estado, como quem acredita em Deus, e se vê agradecido por ser estuprado por tantos impostos, e ainda mais, fica feliz depois que recebe de volta algumas migalhas do que antes lhe foi roubado (sendo que os impostos possuem sua função, desde que não ultrapassem 10 ou 20% de carga tributária total do que é produzido ou ganho).
No Brasil, o Homem-Trouxa acredita no voto, simplesmente porque possui o “direito” ao voto, mesmo sem ter a menor ideia de como é feita a apuração das eleições, e muito menos duvida de nada diante de sua incapacidade diante do desconhecido sistema eleitoral, esquece que se faz necessário ver pessoalmente para onde vai cada voto, e como não existe a possibilidade de checagem de sua idoneidade em uma possível auditoria, ninguém sabe se a realidade virou uma peça de ficção, o que uma determinada autoridade diz que é verdade, todos os Homens-Trouxas do Brasil devem acreditar e obedecer. Pois, como seria possível uma checagem aleatória para saber se o que as urnas dizem bate com o que de fato foi votado? E tem mais, como uma pessoa assim é capaz de aceitar que a apuração, que sempre foi local, passasse a ser centralizada em um lugar tão distante, como é o caso, desde a última eleição, de tudo acontecer somente em Brasília? Ou seja, ninguém tem como conferir nada, e a questão aqui não é nem de duvidar com relação a apuração, mas simplesmente deixar posicionado que pelo fato de não ser possível que uma pessoa qualquer possa entender como tem sido feito o processo de apuração, apenas por este aspecto já seria o suficiente para ficarmos atentos quanto a importância do problema, mas para o Homem-Trouxa não funciona assim, ele acredita cegamente no que diz a televisão.
O Homem-Trouxa acredita na democracia de folhetim, nas narrativas dos telejornais politicamente engajados, e mesmo depois de levar vários golpes contra a soberania de seu país, acredita que ainda vive em uma democracia, mesmo quando inocentes estão sendo presos sem o devido processo (investigação, provas, direito a defesa, julgamento, imparcialidade), mesmo quando os direitos mais básicos são violados, basta dizer para o Homem-Trouxa que ele vive no paraíso, e ele vai acreditar, sim, ele vai acreditar em cada palavra, mesmo vivendo no inferno, mesmo convivendo com mais de cinquenta mil assassinatos por ano no país, ainda assim ele vai acreditar que vive em um lugar tranquilo, ele vai acreditar que o brasileiro é um povo pacífico, não porque não mata pessoas, mas porque não está oficialmente em guerra com nenhum outro país. Assim, nem precisaria, porque entre nós, nós já nos matamos o “suficientemente bem”?! Se é que essa frase pode ser compreendida?!
O Homem-Trouxa é um materialista transcendental, é alguém que acredita na ciência de maneira fanática, de maneira religiosa, como quem segue um dogma, sem saber que tais atributos só possuem serventia no transcendentalismo religioso, qualquer outra coisa é falsificação da realidade. O Homem-Trouxa acredita por meio da fé no que é material, mas curiosamente, rechaça a Religião Cristã, não percebe que fé é um ato que transcende a matéria, logo, não tem como haver uma conexão espiritual com algo que é apenas e somente; material, não há a mínima possibilidade de obtenção de nenhum tipo de satisfação nesta questão, a impossibilidade da transcendência em tal situação a configura como uma falsificação da realidade, algo que somente um imbecil completo poderia não perceber, mas que infelizmente muitos se esforçam para não compreender sua total impossibilidade de ação. Mas ainda tem uma versão piorada, é a do Homem-Trouxa–Cristão, esse é um acaso a parte, porque ele acredita no cristianismo, de vez em quando (ou sempre) vai a igreja, reza, pede a Deus, jura lealdade a Jesus Cristo, mas na prática ele abraça os maiores inimigos do Cristianismo; ele abraça o progressismo, o socialismo, o fascismo, o comunismo, e ainda, quando o cristianismo é atacado, ele aceita o relativismo materialista de que seus opositores são tolerantes religiosos. São muitos os aspectos contraditórios, no caso da ciência; representante da intelectualidade materialista, que vive e existe em função do que é apenas material, mas que é totalmente ineficaz com relação ao que é espiritual, mas ao contrário (ou se preferir, da mesma maneira), o que é espiritual jamais deve competir no que se refere ao campo do que é material, pois é algo que não lhe pertence, este erro tem sido frequente nos programas de tevê, as pessoas seguem a ciência como se fosse uma religião, e não percebem que ciência é uma coisa que perde seu valor quando não pode ser confrontada, não existe ciência sem confrontação até que as últimas descobertas sejam reafirmadas ou negadas, isso é justamente o oposto da religião, onde acreditamos por ato de fé, logo, a fé cega na ciência é um dos erros mais absurdos dos tempos modernos.
Esse novo homem; “O Homem-Trouxa” (e nem é tão novo assim), ele existe há muito e muito tempo, e ele sempre foi necessário para a existência do estelionatário, do ladrão, do político corrupto, do apresentador ou jornalista de televisão que tenta enfiar goela abaixo uma visão de mundo esquizofrênica que só interessa a uma pequena elite que os mantém; o Homem-Trouxa está por toda a parte.
O Homem-Trouxa é um tipo comum com ares de exclusividade (sendo que o maior excluído de tudo é ele mesmo), ele se sente especial quando defende políticas progressistas que se deixa levar por falsidades, ele tem que conviver com seus parcos conhecimentos, mas gosta de se sentir importante quando os progressistas fingem reconhecê-lo como o tal. O Homem-Trouxa se deixa levar por ideias superficiais que ajudam os super poderosos, mas não sem antes execrá-los, ou seja, ele xinga quem ele mesmo está fortalecendo. O Homem-Trouxa é um imbecil que, por ser um imbecil, acredita ser maior do que de fato é, aceitando as políticas sociais progressistas que apelam para o emocional das pessoas, o inimigo, o anti-humanista se passa por humanista, e assim faz transparecer que tem alguém cuidando dos mais vulneráveis, e tudo o que O Homem-Trouxa consegue é justamente fortalecer os mais ricos que o mantém na pobreza, e não adianta tentar demonstrar que aquilo tudo está errado há décadas, o Homem-Trouxa acredita em narrativas, percebe a palavra como se fosse extensão do seu próprio corpo, e por não possuir argumentos, por não possuir ideias que possam ser defendidas porque não possuem nenhum contato com a realidade, esses progressistas tentam calar a todos por meio de suas leis imorais que impedem as pessoas de dizer o que pensam, são eles os “ofendidinhos” da palavra, são despostas disfarçados de vítimas sociais repletos de falsas virtudes. Para ele; O Homem-Trouxa (e seus asseclas), é como se as palavras tivessem o poder de mudar a realidade do que ele está vendo, e assim, a realidade em si perde todo o valor concreto e passa a ser o inimigo a ser derrubado.
Para o Homem-Trouxa basta saber que um carro que funciona a gasolina é diferente de um carro que funciona a eletricidade, destarte, para ele é fácil acreditar que conhece tudo a respeito de um e de outro, ou de qualquer assunto, se não houver um meio de fazer com que suas ideias sejam “nobres”, o Homem-Trouxa dá um jeito e falsifica a realidade da maneira que for possível. Sendo o carro um simples meio de transporte, por ideologismos e narrativas, o carro deixa de ser o que de fato é, e passa a ganhar aspectos de “luta social” (e assim acontece com outros temas), sem entender que as coisas não precisam das nossas interpretações para que elas sejam o que são. E quanto a nós que não pertencemos a estes grupos?! Somos constantemente ameaçados em nossas liberdades, sempre lutando pela verdade e pela realidade das coisas, eles tentam nos calar.
Enquanto isso o Homem-Trouxa passou a ser um amontoado de ossos falantes. Restando-lhe apenas ser uma parte do esqueleto do Homem-Massa de Ortega y Gasset, pois já estamos todos em outra fase, agora somos quase todos Homens-Trouxas, pois somos capazes de pior qualquer coisa que já esteja no fundo do poço. E quem sai ganhando com tudo isso? Sempre são os mesmos, as super elites, as grandes famílias multitrilhonários que controlam a tudo e a todos. “Ave César!”.
p.s. não há nenhuma rferência inquestionável que possa ser usada para demonstrar que devemos ser a favor ou contra quaquer tipo de carro, seja elétrico ou não, o exemplo foi usado simplemente para demosntrar que a crença do Homem-Trouxa só depende de narrativas, e não de evidências.