Neurose é uma palavra cuja origem surge do grego neuron, que significa nervo ou tendão, como uma corda, que combinado com sufixo osis, indica uma determinada condição anormal, um processo que está fora de um determinado padrão que pode ser considerado como um estado ou condição patológica e que a princípio foi utilizado como um termo para definir as doenças do sistema nervoso. Com o tempo passou a ser utilizado mais comumente por Freud para conflitos psíquicos inconscientes relacionados a repressões de traumas que podem gerar ansiedade, histeria, fobias e obsessões comparado a certos padrões de normalidade de conduta, e mesmo que ainda esteja gerando perturbações emocionais e comportamentais acintosas não chega a ser um tipo de psicose, pois a pessoa acometida ainda consegue conservar as referências normais à realidade, os conflitos podem ter origem na infância ou serem desenvolvidas na fase adulta, mas é algo que não se refere a parte física do corpo, basicamente está ligada a perturbações emocionais e de comportamentos.

A neurose atingiu em cheio os histéricos do jornalismo brasileiro e que hoje já são maioria na profissão, e isso já faz algumas décadas. O jornalismo político deixou de ser uma ferramenta de cobertura dos acontecimentos políticos para ser um “clube de fofoca”, praticamente não há mais cobertura política totalmente isenta, pois está tudo muito repleto de ideologismos militantes, ou pior, pouco se salva desse meio em que ainda esteja atuando com a devida isenção e sem o viés da fofoca, a pressão por mais audiência, acompanhada da diminuição de compreensão da sociedade, fez com que os telejornais cedessem a tentação da disputa pela audiência a qualquer preço, e infelizmente as pessoas, em sua grande maioria, estão mais dispostas a falar de outras pessoas do que em acompanhar e debater ideias. Mas eis que alguns programas de “debate” (sendo que nunca é um debate quando não há a mínima possibilidade de um contraponto verdadeiramente corajoso e isento de ideologismos, mesmo quando aparentemente as pessoas estão a transparecer que não pensam igual ou que não estão seguindo uma cartilha muito bem definida e estabelecida), assim, ficamos à deriva quanto ao contraditório, permanecemos todos a acompanhar um show de fingimento tentando reafirmar o que a agenda ideológica determina para o dia.

Aconteceu que recentemente em um destes programas de imbecilização coletiva uma jornalista esportiva resolveu “filosofar” a respeito da neurose humana. Ela disse algo como “a família é a grande geradora de neurose humana!”.

A primeira perguntar a ser feita é; a neurose é sua ou é do outro? Se for sua, você mesmo deverá demonstrar capacidade de resolver o problema ou, ao menos, de ser capaz de encontrar um bom profissional da área para te ajudar, caso contrário, ficar se vitimizando não vai resolver problema algum. Caso sua resposta for a de que a neurose é do outro, o problema por si só já está resolvido na raiz, é só se afastar e manter distância e assim tudo ficará bem, mas cuidado! Essa tentação de ficar colocando a culpa nos outros não te ajudará em nada na resolução do problema, e em pouquíssimo tempo você descobrirá que realmente o problema é seu. Pois, ficar esperando que os outros sejam perfeitos faz com que você descarregue em qualquer um a culpa de problemas que de fato não pertencem aos outros, mas sim a você mesmo. Aqui todo o respeito do mundo quanto aos traumas que cada pessoa possui e carrega consigo, não é o caso de fazer nenhuma desfeita quanto aos problemas alheios, mas é que certamente ninguém pode resolver os seus problemas senão você mesmo, ajudar é possível, mas carregar o seu piano sozinho para você só para transparecer uma capacidade humana da qual nem mesmo você possui?! Não, não conte comigo para tal função, o seu piano é seu! E você é quem deve carregá-lo, posso até te ajudar em alguns momentos e o faço com o maior prazer (desde que você seja capaz de assumir suas responsabilidades, não há problema algum em te ajudar, mas carregá-lo por você, o tempo todo, jamais!

A ideologia do ressentimento precisa te convencer de que seus problemas não são seus, caso contrário você não será um alvo fácil para manipulações e distorções da realidade, é preciso que você seja do tipo que goste de culpar o mundo por sua existência, esse é um truque muito calhorda e medíocre. A ideologia da insatisfação precisa que você também se sinta insatisfeito por qualquer coisa que seja, e que obviamente, tal ideologia irá se apresentar como representante do combate a um problema que a própria ideologia criou, até mesmo fantasiosamente inventa problemas desconexos da realidade, e que com isso obviamente só vai fazer propaganda de si mesma, não vai de fato ajudar ninguém a resolver problema algum, a ideologia quer apenas colocar lenha na fogueira, jogar gasolina no barril de pólvora e tocar fogo para ver o que acontece, e depois ainda aparecer bem na foto como se fossem eles os bonzinhos salvadores da pátria.

Quando a jornalista faz uma declaração como essa tão repleta de ódio e ressentimento, muita gente desatenta pode não ter percebido a armadilha, mas, quem de fato pode definir de que tipo de neurose ela está a falar? Pois a palavra neurose é muito ampla em suas possibilidades de acontecimentos. Quais são os lugares potencialmente perigosos para a humanidade em que todos estarão mais ou menos expostos aos riscos em adquirir algum tipo de neurose? Existe a mínima possibilidade que em alguns lugares ou situações da vida humana estaremos completamente protegidos contra as neuroses? O que colocar no lugar da criação de seus filhos a fim de evitar as “neuroses da família”? Deixar que o governo crie seus filhos? Alguém muito estúpido realmente pode acreditar que estranhos seriam capazes de criar melhor uma criança do que a sua própria família? Por mais que os problemas na família existam e por mais que muitos deles sejam de difícil acesso e de difícil solução, existe mesmo quem acredite que vale mais um lugar sem amor do que um lugar com amor? Por mais que esse amor venha acompanhado de problemas dos quais ninguém em nenhum lugar está totalmente livre deles?! Seria melhor ficar com estranhos? Existem famílias muito disfuncionais, isto é fato! Porém, quem terá o poder de dizer o que é melhor para uma criança? A jornalista fará o serviço “benevolente” em dizer quem é quem no mundo, agindo como um tipo de falso deus na Terra? E o que cada um poderá ou não fazer de suas vidas sendo subjugados por pessoas desconhecidas? Certamente que não fará nenhum serviço senão o de destruição.

E ainda tem a questão de que existe uma grande tentação de algumas pessoas em querer o máximo de poder para si mesmas como algo permanente, constante, frequente, intenso, mesquinho, comum, repetitivo, previsível, canhestro em todos os sentidos, infelizmente sempre vai existir quem faça poses de bonzinhos para adquirir mais e mais poder sobre as vidas dos outros, eis o maior dos sonhos do diabo, que é te convencer de que ele próprio, o coisa-ruim; é “bom”. O pior do problema é que, ao fazer apenas acusações a instituição da “família”, a jornalista faz parecer que é só na família que acontece a tal da neurose, mas então, se é assim, que tipo de neurose poderá surgir nas pessoas que não vão mais poder ter uma família? Melhor aguardar a solução da jornalista a fim de sabermos quais serão os acontecimentos dos próximos episódios de “A minha vida sem família”. Será mesmo que isso é possível sem que tudo vá para o espaço perdido da solidão e desilusão humana?!

Nem é possível afirmar que essa jornalista teve uma família de merda, porque infelizmente existem pessoas que por mais que você lhes dê atenção e amor, ainda assim seu estado de espírito adoecido repleto de azedume egoísta será capaz de enxergar o mundo sempre com seus próprios olhos, repletos de comportamentos mesquinhos ao extremo, materialistas ao extremo.

            O problema não está na família, mas no tipo específico de ser humano mesquinho e ególatra que só sabe reclamar, ressentir, invejar e odiar seus semelhantes.

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